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Posicionamento

Autoridade é percepção: como virar referência na sua especialidade

Título e tempo de formação não constroem autoridade sozinhos nas redes sociais. Entenda por que falar de tudo enfraquece o seu perfil e como escolher um foco, por procedimento ou por público-alvo.

Por Ana Clara Cardoso Avelar · · 7 min de leitura
Autoridade é percepção: como virar referência na sua especialidade

Autoridade no digital não é a mesma coisa que competência clínica. Nas redes, autoridade só existe quando é percebida, e a percepção se forma em poucos segundos, na primeira vez que alguém abre o seu perfil. Tempo de formação, número de procedimentos e títulos pesam muito na sua profissão. Só que nada disso chega até quem está do outro lado da tela sem alguém traduzir.

Resumo rápido

  • Autoridade nas redes é percepção, formada em segundos por quem abre o perfil pela primeira vez.
  • Sem identificação não há autoridade. Quem procura uma solução específica não se reconhece em um perfil que fala de dez assuntos.
  • Dois caminhos de foco: um procedimento principal, ou vários procedimentos que falem com o mesmo público.
  • Três critérios para escolher: demanda real, retorno financeiro e vontade sua de fazer aquilo com frequência.
  • Foco é de comunicação, não de agenda. Você continua atendendo tudo.

Por que falar de tudo enfraquece o perfil

Quase todo profissional da saúde começa comunicando muitos procedimentos ao mesmo tempo e falando com públicos diferentes.

A lógica parece boa: "quanto mais procedimento eu falo, mais gente eu alcanço e mais chance de alguém marcar".

O que essa conta ignora é a identificação.

EX: Uma mulher acorda há meses com a mandíbula travada e dor de cabeça. Ela abre dois perfis de dentista. No primeiro, os últimos 9 posts falam de clareamento, aparelho, canal, extração de siso, bruxismo e limpeza. No segundo, 6 dos 9 falam de bruxismo, do que causa, do que resolve e de quem sofre com isso sem saber.

Ela não avaliou a competência de nenhuma das duas. Escolheu a que parecia estar falando com ela.

Sem identificação, não existe percepção de autoridade. E sem percepção de autoridade, a conversa começa em desvantagem, quase sempre pelo preço.

Um teste rápido

Abra seu perfil no computador e olhe as últimas 9 publicações. Conte quantos assuntos diferentes aparecem e quantos públicos distintos eles atendem.

Se der mais de 3 assuntos ou mais de 2 públicos, alguém que chega pela primeira vez não consegue formar uma frase sobre o que você faz. E é essa frase, formada em segundos, que decide se ela segue, salva ou sai.

Caminho 1: um procedimento principal

O primeiro caminho é eleger um procedimento para o centro da comunicação. A escolha usa três critérios ao mesmo tempo, e todos precisam bater:

  1. Demanda real. Tem gente procurando isso na sua cidade? Olhe as perguntas que chegam no direct e o que as pacientes citam na consulta.

  2. Retorno financeiro. O procedimento precisa justificar o esforço de comunicação. Colocar no centro algo de ticket baixo e demanda alta enche a agenda de atendimento rápido e não muda o faturamento no fim do mês.

  3. Vontade sua. Esse é o critério que quase todo mundo ignora, e é o que costuma derrubar a estratégia lá na frente. O posicionamento funciona: em alguns meses a sua agenda enche daquilo. Se não for algo que você gosta de fazer, a rotina fica pesada e vem a vontade de mudar tudo bem na hora em que o trabalho estava começando a dar resultado.

E você não deixa de fazer o resto: os outros procedimentos continuam na agenda e aparecem em conteúdo complementar. Muda o que ocupa a bio, os destaques e a maior parte do feed.

Caminho 2: um público, vários procedimentos

Nem todo profissional da saúde aceita concentrar tudo em um procedimento, e às vezes não faz sentido clínico mesmo. Existe um caminho intermediário.

Reduza para dois ou três procedimentos, com uma condição: todos precisam falar com o mesmo público.

EX: Uma dermatologista que comunicava dez procedimentos pode ficar com queda de cabelo, foliculite da barba e controle de oleosidade. São três assuntos bem diferentes entre si, mas a pessoa do outro lado é a mesma: o homem de 30 a 45 anos que nunca foi ao dermatologista e está começando a se cuidar agora. O perfil continua coeso porque a audiência é uma só.

Essa é a diferença entre variedade e dispersão. Variedade dentro de um mesmo público constrói autoridade. Variedade entre públicos diferentes dissolve.

O que muda na prática

  • Bio: o que você faz e para quem, em uma linha.
  • Destaques: o primeiro é o do assunto principal. Depois, como marcar, dúvidas frequentes e o consultório.
  • Feed: a maior parte no mesmo eixo.
  • Anúncio: mesma mensagem e mesmo público do perfil. Anúncio que atrai um público e perfil que fala com outro é dinheiro jogado fora, porque a pessoa chega, não reconhece nada e sai.

Conhecer o público é mais do que idade e cidade

Idade, sexo e localização servem para segmentar anúncio. Não servem para escrever.

O que faz diferença no conteúdo é outro nível de informação: o que ela deseja de verdade quando procura aquilo, do que ela tem medo antes de decidir, quais objeções ela levanta (inclusive as que não diz em voz alta) e o que faz ela desistir.

Essa informação você já tem, porque atende essas pessoas todo dia. Ela só não está organizada. Quando começo a gestão de um perfil com uma cliente, essa é a primeira etapa: um briefing que ela responde com base na prática clínica dela, sem resposta genérica. Perguntas do tipo:

  • O que a paciente costuma dizer na primeira consulta, com as palavras dela?
  • Qual medo aparece antes de ela aceitar o tratamento?
  • O que ela já tentou antes de te procurar?
  • Qual frase sua costuma virar o jogo na consulta?
  • O que faz ela adiar mesmo depois de entender que precisa?

Cada resposta dessas vira alguma coisa: tema de post, resposta pronta para uma objeção, argumento na hora do atendimento. É o que separa o conteúdo que descreve um procedimento do conteúdo que faz a paciente parar e pensar "é isso que eu tenho".

A regra do título: quem pode se dizer especialista

Você só pode se apresentar como especialista se tiver Registro de Qualificação de Especialista (RQE), obtido por residência reconhecida ou título de especialista. Sem RQE, use "com foco em", "atua na área de" ou "com ênfase em". Dentistas só podem usar as especialidades registradas no CRO. Confirme a regra vigente no seu conselho antes de mexer na bio.

E "referência em" não se escreve. Autotitulação desse tipo é vedada e configura autopromoção.

Quanto tempo leva

Percepção se constrói por repetição. Conte em meses, não em semanas. Entre três e seis meses no mesmo eixo é quando as pessoas começam a associar seu nome àquele assunto, e é quando muda o tipo de mensagem que chega: menos "quanto custa" e mais "quando você tem horário".

Esse é também o motivo para não trocar de foco a cada dois meses. Cada mudança zera a contagem.

Se você quer transformar seu Instagram em uma ferramenta de posicionamento e atração de pacientes, eu posso te ajudar a construir essa estratégia.

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